Com hipóteses falhas, apuração sobre origem do óleo trava sem suspeitos

Com hipóteses falhas, apuração sobre origem do óleo trava sem suspeitos
19 dez 2019

Do Uol:

Três meses e meio se passaram, e as investigações sobre qual seria a fonte de origem do óleo que contaminou praias do Nordeste e Sudeste não avançam. Ao contrário, as hipóteses levantadas até o momento por autoridades e especialistas que apuram o caso foram refutadas e não há novos suspeitos.

Até agora, 966 localidades de 129 municípios foram afetados por vestígios do óleo. Ao todo, mais de 5 mil toneladas de resíduos foram recolhidas nos litorais de 11 estados Nordeste e Sudeste —peso que inclui materiais como areia, lonas e outros utilizados para a coleta. Desde o dia 2 de setembro que autoridades atuam no caso.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) chegou a falar em culpa da Venezuela, e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, cogitou ação de sabotagem de ONGs. Mas nenhuma dessas se mostrou plausível.

Suspeita sobre navio grego foi refutada

Na terça-feira (17), em depoimento à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Câmara, o coordenador-geral do Cenima (Centro Nacional de Monitoramento e Informações Ambientais) do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis), Pedro Alberto Bignelli, refutou por completo a única suspeita levantada até então publicamente pela PF, de que o navio grego Bouboulina seria suspeito do vazamento.

A suspeita, inclusive, levou a uma operação de busca e apreensão no dia 1º de novembro em empresas ligadas à embarcação no Brasil.

Até o momento não há nenhuma evidência de que o material colhido indique o navio como fonte do óleo. A empresa dona da embarcação, a Delta Tankers, negou o vazamento e assegurou ter provas de que todo óleo trazido da Venezuela foi entregue no destino final.

O argumento que levou a suspeitar do navio grego foi um relatório produzido pela empresa Hex Tecnologias Geoespaciais, que apontou uma extensa mancha de óleo no oceano no dia 29 de julho, com fragmentos se movendo em direção à costa nordestina.

Dos quatro navios que passaram pelo local naquele momento, apenas o Bouboulina levava óleo.

Entretanto, segundo Bignelli, a mancha vista, na verdade, não era óleo, mas sim clorofila.

Além disso, ele diz que a Hex procurou o Ibama dois dias antes de ir à PF e teve a hipótese do Bouboulina refutada. “Vendo as imagens, não me senti confortável em assumir aquilo como um relatório verdadeiro”, disse.

“Eles fizeram o relatório em seis dias com o trunfo na mão de terem descoberto, entre aspas, a origem. Quando eles nos demonstraram —estava eu e outra técnica—, havia imagens sem coordenadas, de coloração duvidosa. Eu em 25 anos de mestrado em sensoriamento remoto pelo INPE [Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais], nunca tinha visto daquela cor”, alegou.

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Anna Ruth

Anna Ruth Dantas é jornalista, apresentadora do programa RN Acontece, da Band Natal; produz e apresenta o programa Jornal da Cidade, da Rádio Cidade (94 FM - Natal), e apresenta o programa Panorama do RN (em rede com 16 emissoras de rádio do Rio Grande do Norte). Jornalista de grande credibilidade, atua também como consultora e ministra cursos de midia trainning na Trilhar Educação Corporativa.

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