Com planos de convocar Moro, CPMI das Fake News ganha novo fôlego

Foto: Agência Senado
27 abr 2020

Do Correio Braziliense:

A comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) das Fake News se prepara para voltar à ativa. O presidente do colegiado, senador Ângelo Coronel (PSD-BA), pedirá ao presidente do SenadoDavi Alcolumbre (DEM-AP), infraestrutura para retomar os trabalhos por sessões remotas, ao menos para votar os requerimentos e dar continuidade aos trabalhos investigativos. São, ao todo, 52 quebras de sigilos telefônicos, telemáticos e bancários. A expectativa é de aprovar também a convocação do ex-ministro da Justiça Sergio Moro, pedida pelo deputado federal Túlio Gadelha (PDT-PE), e de Maurício Valeixo, ex-diretor geral da Polícia Federal, que deve ocorrer em outro momento. Carlos Bolsonaro também está na mira dos integrantes da comissão.

É mais um revés na tempestade sobre o presidente da República, que agora enfrenta investigações na Procuradoria-Geral da República (PGR), na Polícia Federal e no Congresso, pedidos de impeachment e de novas comissões parlamentares de inquérito para apurar as denúncias feitas por Moro ao deixar o cargo. “Com requerimentos aprovados, as equipes podem seguir com as investigações sigilosas. Temos convocação de mais de 100 pessoas. Entre elas, Moro, Valeixo e Carlos Bolsonaro”, elencou o senador Ângelo Coronel.

 

O senador afirmou que tanto Moro quanto o ex-diretor da PF foram vítimas de fake news por parte do governo, além de publicação de informações falsas no Diário Oficial da União. A CPMI foi prorrogada por 180 dias, mas, com a crise do coronavírus e a suspensão das atividades parlamentares presenciais no Congresso, Alcolumbre permitiu a suspensão da contagem do prazo.

 

Doutor em ciências sociais e professor aposentado da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Paulo Baía destaca que os últimos acontecimentos fortaleceram a CPMI. O principal motivo foi o pronunciamento de Moro. “Junto a isso, tem a decisão do ministro do STF Alexandre de Morais, que blindou os delegados da Polícia Federal que estão investigando as fake news. Essa CPMI, que estava esquecida, ganha um reforço enorme a partir da entrevista de Moro e da decisão de Moraes”, ponderou.

 

Cientista político e professor da Universidade de Brasília (UnB), Aninho Irachande avalia que a postura de Bolsonaro de tentar intervir na PF funciona como uma “confissão de culpa” e instiga investigadores a irem mais fundo. “Se os trabalhos corriam com pouca visibilidade, agora ganharam destaque. Ninguém gosta de ser associado à ideia de engavetador, de não fazer investigações. A impressão que eu tenho é que o episódio enfraquece o presidente”, afirmou.

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Anna Ruth
Anna Ruth

Anna Ruth Dantas é jornalista, apresentadora do programa RN Acontece, da Band Natal; produz e apresenta o programa Jornal da Cidade, da Rádio Cidade (94 FM - Natal), e apresenta o programa Panorama do RN (em rede com 16 emissoras de rádio do Rio Grande do Norte). Jornalista de grande credibilidade, atua também como consultora e ministra cursos de midia trainning na Trilhar Educação Corporativa.

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