Em prisão domiciliar, Palocci pede para trabalhar e ver a mãe

Foto: Agência Brasil
01 Dez 2018

Do Estadão:

Antes de deixar pela primeira vez o prédio da Justiça Federal em Curitiba como um réu condenado em regime de prisão semiaberto domiciliar sob monitoramento, Antônio Palocci Filho teve uma audiência com o juiz federal Danilo Pereira Júnior para receber instruções sobre o novo período de cumprimento de sua pena de 9 anos e 10 dias de reclusão – agora, fora das grades. O ex-ministro dos governos Lula e Dilma Rousseff estava encarcerado na sede da Polícia Federal, o berço da Operação Lava Jato, desde setembro de 2016.

Visivelmente envelhecido pelos mais de 800 dias de cárcere, com cabelos mais longos que o tradicional que ostentava nos tempos de ex-ministro da Fazenda, ex-ministro da Casa Civil, ex-deputado e ex-todo poderoso do PT e das campanhas do partido, Palocci teve audiência com o titular da 12.ª Vara Federal de Curitiba, antes de deixar a capital da Lava Jato na noite de ontem. Em um carro preto, saiu por volta das 20h rumo a São Paulo – onde dormiu sua primeira noite no apartamento em que mora e foi preso no dia 26 de setembro de 2016.

Palocci recebeu orientações sobre o uso da tornozeleira eletrônica, como o carregamento diário do equipamento. “Infelizmente (a bateria) ela dura 24 horas. Então o cuidado do equipamento tem que ser diário. Por que isso? Porque o não carregamento do equipamento nos impede de monitorá-lo. Para nós, isso é uma fuga eletrônica e é uma falta grave, é a mesma coisa que o senhor tivesse pulado a grade da penitenciaria e fugido”, explicou o juiz, responsável pelo processo de execução da pena do ex-ministro.

Palocci foi condenado em julho de 2017 pelo ex-juiz federal Sérgio Moro a 12 anos e dois meses de prisão, por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. O caso envolve propinas do grupo Keppel Fels para o PT e para o marqueteiro João Santana, relacionado a contratos de navios-sondas para a Petrobras – negócios fechados entre 2011 e 2012. A defesa do condenado recorreu e em julgamento da apelação nesta quarta-feira, 28, a sentença foi revista para 9 anos e 10 dias e o regime fechado foi substituído pelo semiaberto integral domiciliar, sob monitoramento.

A mudança de regime de pena e redução dos anos foram benefícios obtidos com a delação premiada fechada em março com a Polícia Federal, no âmbito de cinco frentes de investigações, e homologada em junho pela relator da Lava Jato no Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) – a segunda instância de Curitiba.

Com casaco preto e camisa social azul, Palocci deixou a sede da PF onde estava preso por volta das 16h30, em uma viatura. A audiência estava marcada para as 17h. Acompanhado do advogado Tracy Reinaldet, o ex-ministro foi informado que não poderia trabalhar por estar em regime “semiaberto integral” e não em regime “aberto”.

Nesse momento, quis saber se poderia trabalhar. Ficou acertado que a defesa faria um pedido formal e o caso seria posteriormente decidido.

“Sou autônomo, eu dependo de trabalhar”, disse Palocci. “Acho que assim, no processo de cumprimento de pena, o trabalho não é negativo… não vejo… tenho certeza que o senhor pensa assim também.”

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Anna Ruth
Anna Ruth

Anna Ruth Dantas é jornalista, apresentadora do programa RN Acontece, da Band Natal; produz e apresenta o programa Jornal da Cidade, da Rádio Cidade (94 FM - Natal), e apresenta o programa Panorama do RN (em rede com 16 emissoras de rádio do Rio Grande do Norte). Jornalista de grande credibilidade, atua também como consultora e ministra cursos de midia trainning na Trilhar Educação Corporativa.

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