Futuro chanceler afirma que vai ‘libertar o Itamaraty’

Palácio do Planalto    Foto: Agência Brasil
28 Nov 2018

O futuro ministro das Relações Exteriores do governo Jair Bolsonaro, Ernesto Araújo, escreveu em artigo publicado na segunda-feira, dia 26, no jornal Gazeta do Povo, de Curitiba, que vai “acabar com a ideologia em política externa”, e que o presidente eleito confiou a ele a missão de “libertar o Itamaraty” do “marxismo cultural”.

O novo chanceler afirma que pautará sua atuação pelo combate a políticas que compactuam com o que classifica como “alarmismo climático”, “pautas abortistas e anticristãs em foros multilaterais” e a “destruição da identidade dos povos por meio da imigração ilimitada”.

Araújo diz que para “extirpar das relações internacionais brasileiras a ideologia do PT”, é preciso combater o “marxismo cultural”, que busca controlar não mais os meios de produção material, mas de produção intelectual. “Quando me posiciono contra a ideologia de gênero, contra o materialismo, contra o cerceamento da liberdade de pensar e falar, você me chama de maluco. Mas se isso não é o marxismo, com estes e outros de seus muitos desdobramentos, então qual é a ideologia que você quer extirpar da política externa?”, pergunta ao leitor.

‘Torre de marfim’

No começo do texto, Araújo diz que “parte da imprensa e dos colegas diplomatas” esperava que Bolsonaro escolhesse um chanceler que mantivesse a política externa em uma torre de marfim, “sob a desculpa de que a política externa é algo demasiado técnico para ser entendido por um simples presidente da República, muito menos por seus eleitores”. Alguém que “saísse pelo mundo pedindo desculpas”, alguém responsável por “frear o ímpeto de regeneração nacional”.

Para o futuro chanceler, no entanto, a nova política externa precisa traduzir a “sagrada voz do povo”, entendida como a voz do presidente eleito. Essa voz, segundo Araújo, deve ser autêntica e não “dublada no idioma da ONU, onde é impossível traduzir palavras como amor, fé e patriotismo”.

Adotando o discurso “antiglobalista”, Araújo diz que “em uma democracia, a vontade do povo deve penetrar em todas as políticas”, mas que a “mídia” e a burocracia globalista “que gostam tanto de falar em democracia, não sabem disso. Perguntam-se, assustadas: ‘O que vão pensar de mim os funcionários da ONU, o que vai dizer de mim o New York Times, o que vai dizer The Guardian, Le Monde?'”, escreveu o embaixador.

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Anna Ruth
Anna Ruth

Anna Ruth Dantas é jornalista, apresentadora do programa RN Acontece, da Band Natal; produz e apresenta o programa Jornal da Cidade, da Rádio Cidade (94 FM - Natal), e apresenta o programa Panorama do RN (em rede com 16 emissoras de rádio do Rio Grande do Norte). Jornalista de grande credibilidade, atua também como consultora e ministra cursos de midia trainning na Trilhar Educação Corporativa.

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